Para ex-fumantes, não basta apenas ter a força de vontade de largar o hábito, é preciso conviver com os não fumantes que se acham donos da razão e ainda ter que justificar seus motivos para deixar de fumar.
Sinceramente, é uma das coisas mais irritantes da minha vida atualmente. Espero não ter que passar outras situações como essa:
- Como você parou de fumar?
- Parando, uai! Uma hora temos que optar pelo nosso corpo.
- Você não sente falta quando alguém fuma do seu lado?
- Ao contrário, sempre que quero fumar e alguém acende um cigarro o cheiro me enoja e perco a vontade de fumar.
- Como você conseguiu parar?
- Já ouviu falar em força de vontade? (A esta altura começo a me irritar)
- Com quanto anos você começou a fumar?
- 15 anos! (Já irritado, penso: Que tipo de entrevistadora é essa pessoa? Maríla Gabriela ou Luciana Gimenez?)
- Acho ótima a sua decisão, mas você deve fumar um cigarrinho escondido, não é?
- Não! (Já é uma resposta enfática sem a menor pretensão de ser agradável)
- Tenho amigos que pararam de fumar e depois voltaram.
-...(Uma sobrancelha levantada como resposta. Grau de irritação extremo!)
- Já li artigos que ex-fumantes votam a fumar após três meses.
- ...(Tem início a explosão da virada. Deixo de ser o entrevistado e passo a ser o entrevistador)
- Meu anjo, você já fumou?
- Nunca! (a pessoa fica surpresa!)
- você tem noção do que é ter uma atividade mecânica há quase vinte anos e deixar de fazê-la abruptamente sem a utilização de outras substâncias químicas?
- Ah! É apenas uma questão de força de vontade.
- Ora! Se você já sabe a resposta pra quê tantas perguntas? Força de vontade não é apenas uma frase solta no ar. FORÇA é algo que transcende a normalidade, não é fácil pra quem precisa utilizá-la. Você tem algum interesse na minha volta ao tabaco? Você trabalha pra indústria de cigarros? Quer participar do marketing da Souza Cruz? Como eu sei que as respostas são negativas; a noite está linda e amanhã será um dia de sol!

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