quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Adeus ano velho!

"Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final...

Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.

Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.

Foi despedida do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?

Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu....

Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seus amigos, seus filhos, seus irmãos, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.

Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco.

O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.

As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora...

Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem.

Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração... e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.

Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.

Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos.

Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais.

Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do "momento ideal".

Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará!

Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade.

Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.

Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.

Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é. Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu próprio, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és..

E lembra-te:

Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão"

Fernando Pessoa

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Mesa de Bar

Sentado num bar tomando algumas cervejas para encerrar o dia, fui interrompido por gritos na mesa ao lado. Não era uma briga, apenas uma conversa animada de quatro amigas regada a muito alcool e temperada com falta de educação:

- Peguei minha carteira de motorista ontem e já fiz merda!(hahaha) Rodei com o carro numa curva.

- Como você fez isso? (gargalhadas)

- Na auto-escola eu dirigia sempre a 40 km. Peguei o carro e fui fazer uma curva a 80km. Ninguém me falou que eu tinha que reduzir pra fazer curvas!!! (mais gargalhadas)

Levantei e fechei a minha conta; me lembrei da Vani (Os Normais):

"Uma vez eu estava voltando de uma festa altas-horas, estava realmente um pouco "alta" e fui parada numa blitz e ao invés de dizer ao policial "oi sr policial, boa noite, tb bem? como vai?" eu disse: "Se eu mostrar os peitos vc me libera?"

domingo, 8 de novembro de 2009

Tolerância zero!

Para ex-fumantes, não basta apenas ter a força de vontade de largar o hábito, é preciso conviver com os não fumantes que se acham donos da razão e ainda ter que justificar seus motivos para deixar de fumar.

Sinceramente, é uma das coisas mais irritantes da minha vida atualmente. Espero não ter que passar outras situações como essa:


- Como você parou de fumar?

- Parando, uai! Uma hora temos que optar pelo nosso corpo.


- Você não sente falta quando alguém fuma do seu lado?

- Ao contrário, sempre que quero fumar e alguém acende um cigarro o cheiro me enoja e perco a vontade de fumar.


- Como você conseguiu parar?

- Já ouviu falar em força de vontade? (A esta altura começo a me irritar)


- Com quanto anos você começou a fumar?

- 15 anos! (Já irritado, penso: Que tipo de entrevistadora é essa pessoa? Maríla Gabriela ou Luciana Gimenez?)


- Acho ótima a sua decisão, mas você deve fumar um cigarrinho escondido, não é?

- Não! (Já é uma resposta enfática sem a menor pretensão de ser agradável)


- Tenho amigos que pararam de fumar e depois voltaram.

-...(Uma sobrancelha levantada como resposta. Grau de irritação extremo!)


- Já li artigos que ex-fumantes votam a fumar após três meses.

- ...(Tem início a explosão da virada. Deixo de ser o entrevistado e passo a ser o entrevistador)


- Meu anjo, você já fumou?

- Nunca! (a pessoa fica surpresa!)


- você tem noção do que é ter uma atividade mecânica há quase vinte anos e deixar de fazê-la abruptamente sem a utilização de outras substâncias químicas?

- Ah! É apenas uma questão de força de vontade.


- Ora! Se você já sabe a resposta pra quê tantas perguntas? Força de vontade não é apenas uma frase solta no ar. FORÇA é algo que transcende a normalidade, não é fácil pra quem precisa utilizá-la. Você tem algum interesse na minha volta ao tabaco? Você trabalha pra indústria de cigarros? Quer participar do marketing da Souza Cruz? Como eu sei que as respostas são negativas; a noite está linda e amanhã será um dia de sol!


quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Pseudo-Moralidade

Se entendermos a moral como um sentimento inato, atitudes amorais são decorrentes da decadência de valores sociais.

"De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto". (Ruy Barbosa)

domingo, 27 de setembro de 2009

"Nosce Te Ipsum"

Com o tempo perdemos as amarras do raciocínio coletivo. Deixar de pensar conjuntamente torna tudo mais claro e ao mesmo tempo sem sentido. Notamos que alguns valores são conceitos caídos e outros que entendíamos como irrelevantes são os grandes valores da vida.

Neste momento nos perguntamos: Viver sem amarras, pra quê?

Alguns chegam a este momento, outros nunca. Não se trata de amadurecimento, mas de autoconhecimento. É impossível entender o seu próximo sem nos conhecermos. Por vezes, aliás, na grande maioria das vezes, o autoconhecimento traz uma importante conclusão: entender o mundo é a decisão mais irrelevante de todas!

Nada mais apropriado para estar escrito no oráculo de Delfos, templo de Apollo, do que os dizeres abaixo:


“Te advirto, sejas tu quem fores!

Oh! Tu que desejas sondar os arcanos da natureza,

que se não achas dentro de ti mesmo aquilo que buscas,

tão pouco poderás achar fora.

Se tu ignoras as excelências de tua própria casa,

como pretendes encontrar outras excelências?

Em ti está oculto o tesouro dos tesouros.

Oh! Homem! Conhece-te a ti mesmo

e conhecerás o universo e os Deuses...”

sábado, 19 de setembro de 2009

Você?!

Um dia eu falei: Nada mais me surpreende! Eu estava enganado. A decepção ainda me faz estremecer, corrói minha alma. É uma dor lancinante que mina os bons sentimentos para com o próximo, destrói a credulidade no ser humano e torna a vida em sociedade insuportável.

Após o golpe fatal da decepção, as palavras me faltaram. O que pode ser dito em tal situação? Extravasar, pra quê? Embora absorto pelo impacto, em um lampejo de racionalidade, pensei na hipótese de estar exagerando, dando importância exacerbada a um problema pequeno.

Contudo, o problema não fora pequeno. Se assim o fosse a vida teria transcorrido normalmente, e uma conversa estilo “tapinha-nas-costas” teria resolvido a questão.

Se existem momentos oportunos para decepções, com certeza não era este. Definitivamente eu não precisava disto agora.

Você?! Poderia ter sido qualquer outra pessoa, mas você, não! Quero entender, mas não consigo. A inconseqüência do seu ato tem que ter sido bem recompensada.

Decepcionado e exausto, é assim que termino minha narrativa e possivelmente uma fase da minha vida.

Agora, cabem apenas reflexões sobre o assunto e a busca de conforto em teses filosóficas e antropológicas para tentar justificar ações desta natureza.

É certo que o homem é um ser social. Porém, viver em sociedade traz o pior do homem à tona. Rousseau chegou à seguinte conclusão:

"Os homens são maus; uma experiência triste e duradoura dispensa a evidência; entretanto, acho que provei que os homens são bons por natureza. Podemos admirar a sociedade humana à vontade, mas isso não tornará menos verdade que ela necessariamente leva os homens a se detestarem na medida em que seus interesses se cruzam."

Enfim, o aprendizado trazido pelas experiências negativas reforça a tese de que o isolamento social é saudável. A vida em conjunto faz com que o homem entre em concorrência dentro do grupo. Tal disputa, desperta o que há de pior nos seres humanos, eles se tornam invejosos, desconfiados e traiçoeiros.

Acreditar no próximo é a forma mais eficaz de cultivar a amargura facultada pela decepção.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Não, eu não lamento nada!

Primar por um caminho escorreito é ter sob si olhares crivados de críticas. A sociedade, tão acostumada com engodos e mentiras, encara uma conduta virtuosa com incredulidade.
Eu entendo que ter essa conduta é necessária para não lamentar; não lamentar nem o bem nem o mal que me fizeram, tudo é a mesma coisa. O que de fato importa é ter a consciência tranquila.
É incrível como é possível adormecer no meio de uma tormenta e ainda assim ter bons sonhos. O mais incrível ainda é verificar que cada gota de felicidade que me foi roubada hoje volta para minha vida como um oceano de boas novas. O que me foi tirado não mais importa. Providência divina?! Tanto faz.
Poder se reinventar após experiências negativas é o segredo da felicidade.
Não tenho do que me lamentar, eu não lamento nada!



Edith Piaf - Non, Je Ne Regrette Rien

Não! Nada de nada...
Não! Eu não lamento nada...
Nem o bem que me fizeram
Nem o mal - isso tudo me é igual!

Não, nada de nada...
Não! Eu não lamento nada...
Está pago, varrido, esquecido
Não me importa o passado!

Com minhas lembranças
Acendi o fogo
Minhas mágoas, meus prazeres
Não preciso mais deles!

Varridos os amores
E todos os seus "tremolos"
Varridos para sempre
Recomeço do zero.

Não! Nada de nada...
Não! Não lamento nada...!
Nem o bem que me fizeram
Nem o mal, isso tudo me é bem igual!

Não! Nada de nada...
Não! Não lamento nada...
Pois, minha vida, pois, minhas alegrias
Hoje, começam com você!

sexta-feira, 12 de junho de 2009

quarta-feira, 15 de abril de 2009

No telhado


Nada de palavras, embora muitas precisam ser ditas. Sinto minha mente como um grande caldeirão fervendo em um fogareiro alimentado por mil pensamentos: coesos, irritantes, obscuros, decepcionantes, passionais, justos, chatos, duvidosos, inacreditáveis, infames, tristes, hialinos, complacentes, ternos, injustos, críveis... utópicos. 

Sinto que o cansaço me toma.

terça-feira, 14 de abril de 2009

The Owl ;-)

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Penso porque sinto, logo existo.

Uma conversa sobre falta de fé, agnósticos,  raciocínio lógico... Me conduziu ao “escritório mental” para refletir sobre razão e sentimento: Razão e emoção são conflitantes?

Não sei se os anos percorridos na minha existência facultaram o aprendizado de compreensão  ao próximo ou se me tornei um radicalista preso aos meus próprios conceitos, preferindo utilizar a tolerância com pensamentos que me desagradam do que tentar trazer esclarecimento ao opositor (arrogância, tema para outra reflexão).

Enfim, fico com a primeira opção, optei por entender as diferenças comportamentais existentes para firmar convicções do que é aproveitável para a construção de um “Eu” saudável.

Embora eu seja um amante das emoções e goste de usufruir plenamente todas que estão ao meu alcance não deixo de ser racional e lógico nesta degustação sentimental.

A razão e o sentimento são complementares não existe uma supremacia entre o passional e o racional. Simplesmente yin e yang. Tenho crença na existência de um equilíbrio saudável entre os dois pólos.

Imaginem a vida se extirpássemos da sociedade o amor, amizade, fé, raiva, ciúme, inveja... Uma vida patética! Em contraposição tais sentimentos não podem ser maximizados até um quadro patológico, uma vida insana!

Analisando a posição dos racionalistas ao extirparem emoções para chegarem a conclusões lógicas, verifico que até mesmo neste ato existe a influência de sentimentos. A emoção impulsiona o raciocínio lógico.  O que faz o ser humano refletir?  Qual o fim colimado da reflexão? A aplicação da lógica visa o sucesso da reflexão perante a sociedade? As respostas para tais perguntas só podem ser encontradas com a utilização de sentimentos.

Entendo que a razão regula a intensidade dos sentimentos; os sentimentos motivam a razão a definir um pensamento. Com base neste conceito firmo convencimento de que a construção de um “Eu” saudável necessita de uma complementação harmônica entre a razão e emoção.

Ouso complementar Descartes: Penso porque sinto, logo existo.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Carta à Sombra

Existes pra que?

Pensas? Desejas? Sonhas? Amas?

Constróis legado?

 

Que serventia tens nesta ampulheta viva que é a vida?

 

És realmente viva vampira de minh'alma?

Tens sangue nas veias?

 

Quem és afinal?

Por que  me escolhestes? Parasita infernal!

 

Alimenta-se dos meus prantos.

Veste-se com minhas roupas e sapatos.

Queres minha casa, família, carreira e amigos.

Vociferas minhas idéias como se suas fossem.

Amas meus amores.

Aspiras até meus desejos!

 

Ah! Mariposa chupista de almas. Que triste fardo carregas!

Viverás apenas enquanto luz existir.

Buscas a luminescência  da minha vida como se inerente fosse a tua existência.

 

Triste fico por ti, que és uma infeliz dependente do que sou.

Regozijo-me por ter luz própria, sombra não sou!


Una Furtiva Lagrima - Donizetti


Una Furtiva Lagrima 
(Gaetano Donizetti - ária: L'elisir d'amore)


Una furtiva lagrima

Negli occhi suoi spuntò... quelle festose giovani invidiar sembrò...

Che più cercando io vo?

Che più cercando io vo?

M'ama

Si m’ama lo vedo.

Lo vedo.

 

Un solo istante i palpiti

Del suo bel cor sentir!

I miei sospir confondere

Per poco a’suoi sospir!

i palpiti, i palpiti sentir

Confondere i miei co' suoi sospir

 

Cielo, si può morir;

Di più non chiedo.

Non chiedo

 

O cielo

si può si può morir

Di più

non

chiedo

Non chiedo

si può morir

si può morir

D’amor.



quinta-feira, 5 de março de 2009

Um bom almoço...

Almoço no final da tarde... 
Supriu o corpo, os olhos e a mente. Maravilhosa digestão!

segunda-feira, 2 de março de 2009

Evolução

Existem aqueles que por tudo brigam, eternos beligerantes. Nunca se rendem ante aos fatos impeditivos criados pela vida. A conquista é o que traz significado à sua existência.

Os intelectuais, por sua vez, buscam o autoconhecimento através de farta literatura. Seus atos são milimetricamente calculados com supedâneo na experiência de terceiros. O crescimento intelectual é a sua meta.

Infelizmente a evolução é cruel. Em determinados momentos da vida os beligerantes se frustram pela ausência da conquista, os intelectuais sucumbem ao não encontrarem uma resposta científica para a dor da experiência vivida.

Em situações críticas irremediáveis a força e o conhecimento exacerbado são inócuos. Ficam de pé somente aqueles que são adaptáveis ao fatos novos criado pelas circunstâncias vida.

Parafraseando Darwin:

“Não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que melhor se adapta às mudanças” 

A vida sempre continua...